eu-cidade

Nicolina do Sul é a Capital Nacional do Sorriso. Sem muitos habitantes, aqueles que por ali passam decidem ficar pois a cidade tem alto índice de qualidade de vida.

De infraestrutura simples, tem relevos compactos e guarda um segredo que só os pacienciosos descobridores sabem achar: bem no meio do território é possível encontrar um mar de águas límpidas onde se pode mergulhar sem medo.

erro

 

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caçador achava que precisava de música.

ouvia o canto vindo da gaiola enquanto admirava o desenho do vôo livre no céu.

o rouxinol é a ave que mais canta mas é da gaivota o vôo mais bonito.

percebeu que nunca conseguiria caçar a liberdade.

 

salão 

na coxia bailarinas de todas as idades separadas por cor de roupa. as saias de tule eram como asas, a garantia de flutuar pelo palco. a meia calça cor de rosa dava segurança para as pernas trêmulas. mãos geladas, cabelo preso no alto. a pele do rosto esticava com a cola da purpurina. frio na barriga, a cortina se abre.

era primavera de 1987.

hoje visitei o passado e encontrei essa bailarina. ela ainda mora dentro de mim.

eu-casa

se eu fosse uma casa seria essa.

perfumada com o cheiro das árvores de que sou feita.

decorada pelos pássaros migratórios que pousam sobre minha cabeça para descansar.

coberta pelo céu azul da manhã.

colorida pelo sol alaranjado do entardecer.

banhada pela chuva de estrelas cadentes da noite.

gaivota

me remonto com os abraços que recebo. desfaço o nó da garganta tecendo vasos onde planto amor. 

brinco com as antíteses, afinal cada partida é uma chegada, e a vida e a morte são tão certeiras que poderiam ser sinônimos. 

corro pra fugir e encontrar, me atiro em vôos abissais pra exercitar minhas asas e deixar o vento encher meu coração balão.

queria mesmo era ser gaivota pra poder voar na companhia do mar.

feminino

IMG_8815aquelas que delicadamente tecem o ar para amenizar as quedas umas das outras.

que cozem com abraços os pedaços perdidos e assim a vida-colcha-de-retalhos se refaz aos poucos, não sem dores.

que preparam chás e bolos e com todo o calor e doçura alimentam alminhas já fracas pela dureza do tempo.

que existem e estão com o livro da franqueza nas mãos, de prontidão, para mostrar que não é fácil e que há que se ter gana e força pra fazer ser bom.

que sentem o sentir profundo das dores, dos ciclos, dos inícios e fins e dessa aventura que é ser mulher.